Israel tenta montar ‘quebra-cabeça’ da violência sexual durante o ataque do Hamas

Gilad Erdan, embaixador de Israel na ONU, denunciou violência sexual do Hamas
Michael M. Santiago/GETTY IMAGES NORTH AMERICA/Getty Images via AFP – 12.12.2023

Mais de dois meses depois do ataque do grupo terrorista Hamas em Israel, aumentam as denúncias de estupros e agressões sexuais durante essa sangrenta ofensiva, mas sua magnitude é difícil de precisar, pela escassez de testemunhas e pela falta de provas periciais.

“O Hamas utilizou o estupro e a violência sexual como armas de guerra”, denunciou, no início de dezembro, o embaixador de Israel na ONU, Gilad Erdan.

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Nas últimas semanas, aumentaram as denúncias de que os terroristas cometeram estupros coletivos, atos de necrofilia e mutilações de genitais dos corpos. O Hamas nega as acusações e afirma que sua intenção é “demonizar” o movimento que governa Gaza. 

Testemunhas e especialistas entrevistados pela AFP indicaram que não é possível ter um panorama completo das atrocidades cometidas durante o ataque devido ao caos posterior à ofensiva.

O ataque deixou cerca de 1.140 mortos, segundo um balanço com base nos números oficiais das autoridades israelenses. 

Nos dias seguintes, centenas de corpos chegaram à base militar de Shura, no centro de Israel. Muitos estavam carbonizados e mutilados a ponto de dificultar o trabalho dos especialistas. 

Mirit Ben Mayor, porta-voz da polícia, informou que não há laudos periciais sobre violência sexual. “Não foi comprovado se os corpos foram estuprados, foram examinados para serem identificados”, indicou. Segundo as normas tradicionais do judaísmo, o enterro deve ocorrer rapidamente após a morte.

Exército israelense em atividade dentro de Gaza
Israel Defense Forces/Reuters – 03.12.2023

A AFP entrevistou uma reservista que se encarregou de identificar e lavar os cadáveres das militares mortas no ataque. “Ficamos chocadas”, relatou Shari, que não informou o sobrenome. Os corpos de “muitas mulheres jovens chegaram enrolados em panos ensanguentados”, contou. 

“A comandante de nosso grupo viu (os corpos de) várias militares com disparos na virilha, vagina e seios”, afirmou. 

CAÓTICO

O ataque de 7 de outubro foi o mais mortal contra civis em território israelense desde a criação do Estado, em 1948. Em resposta, Israel lançou uma ofensiva aérea e terrestre que deixou ao menos 20 mil mortos, a maioria mulheres, segundo o Hamas.

Eli Hazen, da organização Zaka, especializada na identificação de vítimas de desastres para um enterro segundo as tradições judaicas, afirmou que houve “problemas de comunicação” e de coordenação entre socorristas, Exército e polícia.

Segundo Hazen, o corpo de uma mulher seminua, com um tiro na nuca e em posição que sugere agressão sexual, foi encontrado no kibutz Beeri.

Na mesma comunidade agrícola, acrescentou o voluntário, o corpo de uma jovem foi encontrado embaixo do cadáver de um combatente e ambos vestidos pela metade. 

Simcha Greiniman, também voluntário da Zaka, contou que em outro kibutz uma mulher morta foi encontrada com objetos cortantes na vagina. 

Celine Bardet, jurista francesa fundadora da associação We Are Not Weapons of War (“Não somos armas de guerra”, em tradução livre), indicou que constituem exemplos de violência sexual.

No momento, “não é possível determinar a magnitude nem os detalhes dos abusos, o modus operandi, nem quantas pessoas envolvidas”, disse Bardet. 

“TIREM-LHES AS ROUPAS”

Nos casos de estupro, a situação é mais complexa. Os especialistas afirmam que a maioria das possíveis vítimas está morta e a exumação é proibida no judaísmo. 

Na imprensa, há relatos de testemunhas, especialmente de sobreviventes do festival Nova, que reuniu 3 mil pessoas a 10 km de Gaza, onde 364 morreram. 

“Havia três garotas jovens, despidas da cintura para baixo, com as pernas abertas. Uma tinha o rosto queimado”, contou Rami Shmuel, um dos organizadores do evento.

O Exército israelense divulgou documentos encontrados, segundo os militares, nos corpos de combatentes do Hamas, entre eles, um livro de instruções com frases como “tirem-lhes as calças”, ou “tirem-lhe as roupas”, em hebreu. 

Diplomatas israelenses contatados pela AFP classificaram a investigação do Conselho de Direitos Humanos da ONU como “tendenciosa” e acusaram seus membros de serem “antissemitas” e “anti-israelenses”.

O Trinunal Penal Internacional (CPI), cujo procurador, Karim Khan, visitou a região após a eclosão do conflito, pode decidir se inicia uma investigação. 

Para Elkayam-Lévy, uma investigação pode levar anos e, muitas vezes, as vítimas demoram demais para falar. 

“Nunca saberemos o que aconteceu com essas mulheres (…) mas estamos montando esse quebra-cabeça, peça por peça”.

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Polícia da República Tcheca corrige para 14 o número de mortos em atentado em faculdade

Pessoas acendem velas em homenagem às vítimas do tiroteio na Universidade Charles, em Praga
Michal Cizek/AFP – 21.12.2023

O ataque a tiros ocorrido nesta quinta-feira (21) em uma universidade de Praga deixou 14 mortos e 25 feridos, diz o último balanço da polícia da República Tcheca, que antes tinha informado que havia 15 vítimas fatais.

“Por ora, podemos confirmar 14 vítimas do crime horrível e 25 feridos, dez deles graves”, explicou aos jornalistas o chefe de polícia Martin Vondrasek.

Um jovem de 24 anos atirou contra os estudantes e outras pessoas que estavam pela tarde na Faculdade de Artes da Universidade Carolina, no centro da capital.

As forças de segurança anunciaram posteriormente que o atirador tinha sido “eliminado” e que não havia confirmado a presença de “nenhum outro agressor”.

Por sua vez, o ministro do Interior tcheco Vit Rakusan garantiu que “não há nenhum indício de que este crime tenha qualquer relação com o terrorismo internacional”.

A polícia suspeita que o atirador, primeiro, assassinou seu pai em sua residência, e depois seguiu para Praga “para se suicidar”.

Este incidente é o mais violento da história da República Tcheca desde a sua cisão da Eslováquia em 1993.

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Milei critica panelaços na Argentina, explica desregulação da economia e dispara: ‘Já aviso que vem mais’

Milei está descontente com resposta popular a medidas impostas
JUAN MABROMATA/AFP – 13.12.2023

O presidente da Argentina, Javier Milei, criticou nesta quinta-feira (21) os panelaços realizados no país contra medidas impopulares, como o decreto editado nesta quarta (20) à noite, que modifica ou revoga mais de 300 normas, entre elas as leis de aluguel e de abastecimento e o regime trabalhista.

Em entrevista à rádio argentina Rivadavia, o ultraliberal cogitou até a possibilidade de parte dos habitantes do país ter a síndrome de Estocolmo — uma condição psicológica em que a vítima sofre intimidação e violência e, mesmo assim, estreita laços de lealdade com o sequestrador.

“Pode ser que haja pessoas que sofrem da síndrome de Estocolmo, [porque] estão abraçadas e apaixonadas pelo modelo que as empobrece, mas não são a maior parte dos argentinos. A República está em risco com o populismo, não com a liberdade”, afirmou.

Quanto ao direito de greve, Milei disse que, nesse caso, trata-se de serviços essenciais, como a educação, e que o país não pode perder dias de aula porque “o capital humano é o futuro e algo irreparável em longo prazo”.

“É um bem essencial, não pode haver greve. Tanto na educação quanto na saúde, eles devem garantir 75% dos serviços para cumprir as horas, senão estamos hipotecando o futuro”, explicou.

Milei disse ainda que a nova gestão já observou que “entre leis e outras normas que dificultam o funcionamento de uma sociedade livre, há cerca de 380 mil regulações”. Logo depois, disse que o governo trabalha para “desmontar essa máquina de destruir em que se converteu o Estado argentino”.

Nesta quarta-feira, o presidente fez um pronunciamento, transmitido por rádio e televisão, em que detalhou as mudanças que fez por decreto na economia. Nesta quinta, na entrevista à rádio, o chefe do Executivo argentino disse se tratar de “uma pré-dolarização”, que provoca “um choque de liberdade”. Logo na sequência, garantiu: “Vem mais por aí”.

Ainda na entrevista ao veículo, ele desconsiderou as críticas populares que afirmam que não havia emergência para usar o Decreto de Necessidade e Urgência: “Não havia emergência? Por favor, olhem os números. A inflação vinha em 3.678%, isso é hiperinflação. Se não fizéssemos uma correção monetária para que o BCRA [Banco Central da República da Argentina] parasse de imprimir dinheiro, a Argentina estaria lançando as bases para uma hiperinflação”, afirmou.

O governante também esclareceu que teve que adotar “um conjunto de medidas impopulares para a recomposição do caixa”, mas ressaltou que “historicamente, todos os ajustes recaíram na população em geral, e esta é a primeira vez que 60% recaem no Estado”.

Em uma mensagem à classe média, Milei prometeu que ela se beneficiará “com a redução da inflação e a melhoria da economia e terá um melhor trabalho e qualidade de vida”.

“O que estamos fazendo é melhorar a macroeconomia. É um pacote de estabilização em que muitas coisas não me agradam, mas é para resolver a inflação. Aqui há uma emergência. Acho engraçado os kirchneristas dizerem que não havia emergência”, concluiu.