Manifestantes argentinos leem carta de protesto em Buenos Aires: ‘Abaixo o plano motosserra’

Manifestantes argentinos marcham em direção à praça de Maio, em Buenos Aires
Juan Mabromata/AFP – 20/12/2023

Membros de partidos políticos de esquerda e movimentos sociais que foram às ruas de Buenos Aires nesta quarta-feira (20) leram uma carta de protesto que unia todas as suas reivindicações. O documento, nomeado “Abaixo o plano motosserra de Milei e do FMI”, critica a proposta do presidente que inclui desvalorização da moeda, redução de subsídios e cortes de gastos públicos.

Os manifestantes também fizeram fortes críticas ao protocolo antipiquetes implementado pela ministra da Segurança, Patricia Bullrich, que foi acusada de “criminalizar o protesto social”.

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Após a leitura do documento final, a desconcentração começou na praça de Maio. Os manifestantes que recuam pelas diagonais Norte e Sul o fazem caminhando pelas ruas, que estão completamente bloqueadas.

O ato desta quarta-feira foi a primeira mobilização contra o governo de Javier Milei. Os manifestantes são contrários ao pacote de medidas econômicas anunciado pela nova gestão em 12 de dezembro e ao protocolo antimanifestações criado por Patricia Bullrich.

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No último dia 14, a ministra anunciou que serão impostas “severas penalidades” àqueles que obstruírem a “livre circulação”. O protocolo abrange quem transporta, organiza e financia os protestos. A Justiça recusou pedidos de um habeas corpus preventivo, dando aval para que o protocolo fosse posto em prática.

Além de protestarem contra as medidas anunciadas por Milei, os manifestantes marcharam em memória dos protestos de 19 e 20 de dezembro de 2001, contra a crise econômica. Na ocasião, 39 pessoas morreram, segundo a Secretaria de Direitos Humanos da Argentina.

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‘Fora Milei’: vândalos picham mensagens de protesto na Embaixada da Argentina no Chile

Porta de entrada da embaixada argentina em Santiago é pichada com os dizeres: ‘De Santiago a Buenos Aires, a luta continua há 22 anos. Fora Miley (sic)’
Pablo Vera/AFP – 20/12/2023

A fachada da embaixada argentina em Santiago foi vandalizada nesta quarta-feira (20), horas antes da primeira manifestação contra Javier Milei convocada em Buenos Aires.

A porta de entrada da legação diplomática estava pintada de preto e na parede estava escrito: “De Santiago a Buenos Aires, a luta continua há 22 anos. Fora Miley [sic].”

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Também foram divulgados panfletos que diziam: “Quem governa, governa, o povo sempre perde”.

Javier Lareo, encarregado de negócios argentino, afirmou que o ataque não causou grandes danos ao interior do edifício, mas lamentou que um edifício histórico no centro de Santiago tenha sido afetado.

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“Não tivemos ameaças anteriores. Para nós foi uma surpresa”, disse Lareo à imprensa.

A Argentina comemora hoje o 22º aniversário dos protestos de 19 e 20 de dezembro de 2001, ano da pior crise econômica, social e política que o país viveu nas últimas décadas, que deixou 39 mortos e culminou com a demissão do presidente na época, Fernando de la Rúa.

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Os protestos convocados para esta quarta-feira são os primeiros enfrentados pelo novo governo do ultraliberal Javier Milei.

O novo chefe do Executivo argentino ainda não nomeou um embaixador no Chile após a renúncia do polêmico Rafael Bielsa, em 10 de dezembro.

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Justiça argentina rejeita habeas corpus contra protocolo de segurança de Milei

Vista aérea dos manifestantes na Plaza de Mayo durante manifestação em Buenos Aires
Luis Robayo/AFP – 20/12/2023

A Justiça argentina rejeitou o pedido de habeas corpus preventivo contra o protocolo de segurança do governo do presidente Javier Milei, que nesta quarta-feira (20) enfrenta um dia de protestos convocados contra as medidas de ajuste econômico anunciadas.

A decisão da Justiça foi comemorada pela ministra da Segurança, Patricia Bullrich, que afirmou nas redes sociais que o protocolo que proíbe os bloqueios de rua é “totalmente legal”, poucas horas antes do início da primeira grande manifestação da era Milei, que assumiu o cargo há dez dias.

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“Somente aqueles que ignoram a lei e vivem fora dela poderiam pensar o contrário [que não é legal]”, escreveu Bullrich nas redes sociais.

O pedido de habeas corpus, assinado por Pérez Esquivel, buscava anular o protocolo de segurança, com o argumento de que afeta a “liberdade de movimento e a integridade física” daqueles que planejam se manifestar.

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A norma, apresentada na semana passada por Bullrich, prevê a intervenção sem necessidade de ordem judicial das forças federais contra piquetes que bloqueiem o tráfego em vias públicas, bem como a identificação das pessoas que participarem de tais ações.

Além disso, o protocolo estabelece que as organizações responsáveis pelos bloqueios de estradas terão que cobrir os custos da operação de segurança mobilizada para limpar as ruas.

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A medida foi repudiada por organizações de direitos humanos na Argentina e pelo relator especial da ONU (Organização das Nações Unidas) sobre liberdade de associação, Clément Voule, que afirmou que a iniciativa de Bullrich, que também foi ministra da Segurança no governo de Mauricio Macri (2015-2019), “criminaliza o protesto pacífico” e concede “poder ilimitado” às forças de segurança.

As 80 entidades que organizam a manifestação desta quarta pretendem reunir cerca de 50 mil pessoas em Buenos Aires e seguir do Congresso até a central Plaza de Mayo, em frente à Casa Rosada (sede da Presidência), para protestar contra as severas medidas de austeridade anunciadas pelo presidente ultraliberal.

Em entrevista ao canal de televisão TN nesta quarta-feira, Bullrich insistiu em que as pessoas podem se manifestar “quantas vezes quiserem” em praças e calçadas, mas enfatizou que “as ruas não se fecham”.

As novas autoridades argentinas advertiram, por meio de anúncios nas estações de metrô, que aqueles que interromperem o tráfego nas vias públicas perderão o direito de receber recursos dos planos sociais.

Na Argentina, onde a taxa de pobreza é de 40%, quatro de cada dez famílias recebem algum tipo de assistência social.

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