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Conselho de Segurança da ONU adia mais uma vez votação sobre trégua na guerra em Gaza
Conselho de segurança da ONU adia votação de resolução que pede trégua na guerra na Faixa de Gaza
Shannon Stapleton/Reuters – 19/12/2023
O Conselho de Segurança da ONU adiou novamente, nesta terça-feira (19), a votação de uma nova resolução que pede uma trégua na guerra entre Israel e os terroristas do Hamas e a entrada de ajuda humanitária na Faixa de Gaza.
A sessão para votar o texto, proposto pelos Emirados Árabes Unidos, havia sido inicialmente convocada para segunda-feira (18), adiada para esta terça, atrasada durante este dia e, finalmente, cancelada.
Ainda não há data nem horário para a nova sessão, embora se espere que ela ocorra nesta quarta-feira (20).
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As negociações continuam para tentar impedir que os Estados Unidos, membro permanente do Conselho, com direito a veto, anulem a resolução.
O governo do presidente Joe Biden já vetou duas vezes resoluções que pediam um cessar-fogo na Faixa de Gaza, argumentando, em uma ocasião, que reconhecia o direito de Israel de se defender e, na outra, que exigia a libertação de todos os reféns mantidos pelo grupo islâmico Hamas como condição para o fim dos combates.
Em uma entrevista coletiva concedida nesta terça-feira, o porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Matthew Miller, afirmou que o país está negociando de forma “construtiva”.
Miller declarou que os EUA querem que a resolução trate das “necessidades humanitárias” dos habitantes da Faixa de Gaza, mas enfatizou que seu voto dependeria do conteúdo final da resolução.
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O texto atualizado proposto pelos Emirados Árabes pede “uma suspensão urgente das hostilidades para permitir o acesso humanitário seguro e desimpedido e medidas urgentes para uma cessação sustentável das hostilidades”.
Os EUA reiteraram que se opõem a um cessar-fogo, porque acreditam que essa trégua serviria para que o Hamas se rearmasse e atacasse Israel novamente.
Exceto por essa única frase sobre a cessação das hostilidades, a resolução se concentra em mecanismos para garantir a entrada de ajuda humanitária e pede a libertação incondicional dos reféns mantidos pelo Hamas, mas também o fim dos ataques a civis e à infraestrutura civil.
O Conselho de Segurança já se reuniu seis vezes para discutir o conflito na Faixa de Gaza, sendo que em apenas uma chegou a um consenso sobre uma resolução, sem vetos, para pedir “pausas humanitárias urgentes e prolongadas” na guerra. Naquela ocasião, os EUA optaram por se abster.
Zelensky admite que ‘ninguém’ sabe quando a guerra na Ucrânia vai acabar
Presidente da Ucrânia, Volodmir Zelensky, fez comentário sobre a guerra contra a Rússia em uma coletiva de imprensa
SERGEI SUPINSKY / AFP – 19/12/2023
O presidente ucraniano, Volodmir Zelensky, reconheceu, nesta terça-feira (19), que “ninguém” sabe quando vai terminar a guerra na Ucrânia e afirmou que uma eventual vitória de Donald Trump nas eleições presidenciais dos Estados Unidos teria um “forte impacto” no conflito .
“Penso que ninguém sabe a resposta […] nem sequer nossos comandantes, nem nossos aliados ocidentais”, disse Zelensky, ao ser perguntado sobre quando vai terminar o conflito entre Ucrânia e Rússia.
O líder ucraniano fez essas declarações em sua entrevista coletiva de fim de ano, na qual propôs mobilizar “450 mil ou 500 mil soldados” diante da falta de tropas do Exército no front.
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Zelensky também falou sobre como as eleições americanas, previstas para novembro de 2024, podem afetar a guerra.
Ele reconheceu que o provável candidato do Partido Republicano dos EUA tem “uma personalidade diferente” da do democrata Joe Biden, e que isso terá como reflexo “uma política diferente”.
“Se a política do próximo presidente, independentemente de quem seja, for distinta em relação à Ucrânia, mais fria ou mais econômica, então acredito que isso terá um forte impacto no desenvolvimento da guerra”, advertiu.
No entanto, expressou sua esperança de que Washington não faça mudanças em seu apoio militar e econômico à Ucrânia, que é essencial para Kiev na guerra com a Rússia.
As eleições presidenciais dos Estados Unidos estão previstas para o início de novembro de 2024, e muitos analistas consideram que poderiam representar um ponto de inflexão no apoio do Ocidente à Ucrânia.
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Em diversas ocasiões, Trump manifestou suas reticências em relação à ajuda que Washington fornece a Kiev.
“Tenho confiança de que os Estados Unidos não vão nos trair e vão respeitar o que foi acordado”, afirmou Zelensky.
O presidente ucraniano realizou essa coletiva depois de um ano marcado por poucos avanços do Exército ucraniano em sua contraofensiva, iniciada em junho.
Contudo, Zelensky destacou “a grande vitória” do Exército ucraniano no mar Negro, onde, com seus ataques, as tropas de Kiev obrigaram os navios russos a recuarem, e isso facilitou a criação de corredores marítimos para que a Ucrânia pudesse continuar exportando grãos.
Israel desmantela fábrica do terror onde o Hamas montava foguetes na Faixa de Gaza
Israel afirma ter encontrado cerca de 1.500 túneis de terroristas do Hamas em Gaza
Porta-voz das Forças de Defesa de Israel, Daniel Hagari, em um túnel construído por terroristas do Hamas em Gaza
SARA GOMEZ ARMAS/EFE – 17/12/2023
O Exército de Israel informou nesta terça-feira (19) que encontrou, durante sua ofensiva na Faixa de Gaza, cerca de 1.500 túneis usados por terroristas do Hamas.
Uma unidade de forças especiais do Exército israelense é responsável por localizar e, em muitos casos, destruir essas passagens subterrâneas, de acordo com um comunicado militar.
Essa unidade, o comando de elite Shaldag da Força Aérea israelense, vasculha os túneis em busca de postos de comando e instalações usadas pelo Hamas para combater, segundo a nota.
“A guerra subterrânea é uma estratégia de combate usada pelo Hamas”, explicou o Exército israelense, que denunciou repetidamente os túneis por estarem sob “escolas, hospitais, mesquitas, instalações da ONU e instituições civis”.
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Depois do ataque do Hamas em 7 de outubro, com mais de 1.200 mortos e mais de 240 sequestrados, Israel declarou estado de guerra e em 27 de outubro lançou uma ofensiva militar por terra, mar e ar contra a Faixa de Gaza.
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Sob risco de ataque no Mar Vermelho, navios usam rota que atrasa viagem em duas semanas
Navio Galaxy Leader foi sequestrado pelos houthis em novembro e levado para o Iêmen
Khaled Abdullah/Reuters – 05.12.2023
As recentes investidas e ataques de rebeldes houthis a navios mercantes no Mar Vermelho fizeram com que as principais empresas de carga do mundo anunciassem, nos últimos dias, a suspensão de rotas na região, que dá acesso ao canal de Suez, no Egito — caminho mais rápido entre a Ásia e a Europa, que recebe cerca de 15% do tráfego marítimo global.
O Houthi tem apoio do Irã e governa parte do território do Iêmen, o qual a costa é próxima ao estreito de Bab-el-Mandeb, por onde navios procedentes do sudeste asiático e do Golfo Pérsico, por exemplo, acessam o Mar Vermelho por águas internacionais.
No governo de Donald Trump, os EUA designaram o Houthi como organização terrorista, decisão que foi revogada em fevereiro de 2021 pelo atual secretário de Estado da administração Biden, Antony Blinken.
Desde o início da guerra entre Israel e o grupo terrorista Hamas, os houthis têm feito diversos ataques na região, como forma de demonstrar apoio aos extremistas islâmicos. Os dois pregam o fim do estado de Israel.
O ato mais significativo foi o sequestro do transportador de veículos Galaxy Leader, em 19 de novembro, durante uma viagem entre Turquia e Índia. A embarcação é de propriedade da Ray Shipping, a qual um dos sócios é o empresário israelense Abraham Ungar.
O Galaxy Leader foi levado para o porto de Hodeida, no Iêmen, onde permanece ancorado. Os 25 tripulantes — oriundos da Bulgária, Ucrânia, Filipinas, México e Romênia — continuam sendo mantidos reféns e lhes foi permitido apenas “contato modesto” com suas famílias, informou no começo do mês a empresa proprietária do navio.
O governo americano classificou o caso de “pirataria” e disse que considera redesignar o Houthi como organização terrorista — apenas Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Iêmen adotam essa classificação para o grupo atualmente.
Os ataques de artilharia a navios mercantes que passavam pelo estreito de Bab-el-Mandeb se intensificaram nas últimas semanas, alvejando pelo menos 20 embarcações.
Na segunda-feira (18), o navio-tanque M/V Swan Atlantic, de bandeira norueguesa, sofreu “danos limitados” após ser atingido por múltiplos mísseis lançados pelos houthis.
Um navio do armador alemão Hapag-Lloyd foi outro alvo, na semana passada, fazendo com que as operações no Mar Vermelho fossem suspensas pela companhia. O mesmo ocorreu com outra gigante, a MSC.
“Em 15 de dezembro, o MSC Palatium III foi atacado enquanto atravessava o Mar Vermelho. Felizmente, todos os membros da tripulação estão seguros, sem relato de ferimentos. A embarcação sofreu danos leves pelo fogo e foi retirada de serviço. Devido a esse incidente e para proteger a vida e a segurança de nossos marinheiros, os navios da MSC não atravessarão o canal de Suez rumo ao leste e oeste até que a passagem pelo Mar Vermelho esteja segura. Estamos redirecionando alguns serviços via Cabo da Boa Esperança, garantindo operações ininterruptas e seguras”, disse em nota a companhia sediada na Suíça.
A francesa CMA CGM e a dinamarquesa Maersk também tomaram decisões semelhantes.
“Após o quase acidente envolvendo a Maersk Gibraltar ontem e mais um ataque a um navio porta-contêineres hoje, instruímos todos os navios Maersk na área destinada a passar pelo estreito de Bab al-Mandeb a pausar sua viagem até novo aviso”, disse a empresa em 15 de dezembro.
A petrolífera BP, do Reino Unido, anunciou na segunda-feira que não permitirá que seus navios transitem pela região.
“Diante da piora na situação de segurança para o transporte marítimo no Mar Vermelho, a BP decidiu pausar temporariamente todas as travessias pelo Mar Vermelho. Manteremos essa pausa precautória em revisão contínua, sujeita às circunstâncias à medida que evoluem na região”, afirmou.
Cerca de 20% do consumo global de petróleo e gás passa por Bab el-Mandeb, e em torno de 98% dos navios que o atravessam também utilizam o canal de Suez, seja em direção à Europa ou à Ásia. Esse corredor recebe cerca de 30% do tráfego global de mercadorias.
As companhias marítimas chinesas COSCO, OOCL e Evergreen Marine também decidiram, ontem, suspender o transporte de cargas na rota do Mar Vermelho.
Estreito de Bab el-Mandeb; à direita, a costa do Iêmen
Divulgação/Nasa
A impossibilidade de usar o canal de Suez cria um enorme problema para os armadores, uma vez que a rota secundária acrescenta semanas ao tempo de viagem.
O mercado de petróleo e gás, especificamente, é um dos que mais se beneficiam do canal, uma vez que os navios que saem do Golfo Pérsico em direção à Europa podem fazer o percurso de 12 mil km em cerca de 14 dias (até o Reino Unido).
Se essa rota precisar ser feita pelo Cabo da Boa Esperança, contornando o continente africano, ela se torna um caminho de 21 mil km, que leva em torno de 24 dias para ser completado.
Dependendo do destino da embarcação e das condições do mar, o tempo adicional de viagem pode superar facilmente duas semanas, causando atrasos, aumento de custos e problemas nas cadeias de suprimento.
Repercussão
Contratorpedeiro USS Carney é uma das embarcações dos EUA no Mar Vermelho
Divulgação/Comando Central dos EUA
A ministra alemã das Relações Exteriores, Annalena Baerbock, pronunciou-se sobre o ataque e afirmou que os houthis ameaçam o transporte marítimo internacional e a segurança de Israel.
“Os ataques dos houthis contra navios mercantes civis no Mar Vermelho devem cessar imediatamente”, declarou Annalena, em uma entrevista coletiva em Berlim.
“Esses ataques não apenas põem em perigo a segurança de Israel, mas também ameaçam o transporte marítimo internacional”, acrescentou.
Os Estados Unidos já possuem navios militares no Mar Vermelho — USS Mason, USS Carney (no estreito de Bab el-Mandeb), USS Bataan e USS Carter Hall — para garantir a segurança das demais embarcações, mas pretendem reforçar a presença naquelas águas.
O Comando Central das Forças Navais dos EUA anunciou no sábado (16) que o contratorpedeiro USS Carney “enfrentou com sucesso”, 14 drones suicidas lançados pelos houthis.
Segundo o jornal britânico The Guardian, o secretário americano da Defesa, Lloyd Austin, deve anunciar uma operação maior nos próximos dias.
O governo americano está tentando fazer com que a China se junte a uma força internacional de proteção marítima, que está sendo montada no Bahrein e deve contar com o apoio da Jordânia, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Catar, Omã e Egito.
Canal de Suez
Em 2021, navio encalhou e interrompeu o tráfego no canal de Suez por seis dias
Amr Abdallah Dalsh/Reuters – 07.07.2021
O Egito está particularmente preocupado com a escalada da violência e das ameaças promovidas pelos houthis, uma vez que o canal de Suez representa uma importante fonte de receita para o país — US$ 9,4 bilhões (R$ 46,5 bilhões), no último ano fiscal (encerrado em 30 de junho).
O presidente da Autoridade do Canal de Suez do Egito, Osama Rabie, informou no domingo (17) que está “acompanhando de perto as consequências das tensões atuais”. Ele acrescentou que o tráfego marítimo no canal está atualmente normal, sem entrar em mais detalhes.
O canal de Suez testemunhou eventos históricos significativos que levaram à interrupção do tráfego ao longo de sua rota vital.
Em 1956, a Crise de Suez eclodiu quando o presidente egípcio Gamal Abdel Nasser nacionalizou o canal, provocando uma resposta militar de Israel, França e Reino Unido. Durante o conflito, a passagem foi fechada, o que criou tensões geopolíticas e um realinhamento das influências na região.
Em 1967, durante a Guerra dos Seis Dias entre Israel e as nações árabes, o Egito bloqueou fisicamente os extremos do canal de Suez como parte de suas estratégias militares. Após o conflito, o canal permaneceu fechado, e 15 navios, conhecidos como a “Frota Amarela”, ficaram encalhados em seu Grande Lago Amargo.
Em março de 2021, o navio Ever Given encalhou enquanto passava pelo canal, bloqueando completamente o tráfego por seis dias. O prejuízo causado ao Egito foi estimado em cerca de US$ 100 milhões (R$ 495 milhões).




























