Hospital encaminha pacientes pobres para cirurgias bariátricas para subir número de operações

Paciente durante desfile de moda organizado por programa de cirurgias bariátricas de hospital de Nova York
Maansi Srivastava/The New York Times — 2/11/2023

A cirurgia bariátrica é uma operação importante, que pode prevenir doenças cardíacas, diabetes e derrames em pacientes específicos. O Hospital Bellevue, na cidade de Nova York, que atende uma população desproporcionalmente pobre e obesa, afirma que ela tem salvado muitas vidas.

Mas uma investigação do The New York Times descobriu que seu programa bariátrico, liderado por cirurgiões que recebem incentivos financeiros para efetuar o maior número possível de operações, se tornou uma linha de produção de alta velocidade que colocou em perigo alguns pacientes e comprometeu o atendimento de urgência de outros. E, como a maioria desses está incluída no Medicaid (programa de saúde social dos Estados Unidos para famílias e indivíduos de baixa renda e recursos limitados) ou não têm seguro, os contribuintes arcam com a despesa.

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Essa cirurgia reduz o estômago do paciente e exige que ele mude radicalmente como e o que come. Mesmo algumas operações bem-sucedidas podem levar a cólicas estomacais e refluxo de ácido debilitante por toda a vida. Por isso, os hospitais frequentemente exigem que o candidato à cirurgia tente perder peso por conta própria e se submeta a meses de triagem e preparação para o procedimento e suas consequências.

Muitas vezes, porém, o hospital apressa o processo que leva à operação, segundo a investigação do The New York Times, com base em entrevistas com 70 funcionários, pacientes e executivos do Hospital Bellevue e dos sistemas hospitalar e correcional da cidade de Nova York, bem como em documentos internos, processos judiciais e prontuários médicos.

O paciente em potencial geralmente recebe uma data de cirurgia provisória após participar de uma única sessão informativa, preencher uma ficha e conversar brevemente com um médico. Uma reunião para avaliar a saúde mental às vezes dura só dez minutos. Muitos pacientes afirmaram em entrevista que concordaram com a cirurgia sem compreender completamente os riscos.

Imagem do exterior do complexo carcerário de Rikers Island, em Nova York, no fim de tarde, 26 de julho de 2023
José A. Alvarado Jr./The New York Times — 26/7/2023

De acordo com oito médicos e enfermeiros envolvidos nos procedimentos, no intuito de aumentar a quantidade de cirurgias, o hospital operou pessoas cujo índice de massa corporal (IMC) era muito baixo para se qualificarem conforme as diretrizes médicas padrão.

Recrutou também pacientes do complexo penitenciário de Rikers Island, na cidade de Nova York, que não têm quase nenhuma possibilidade de manter a dieta necessária depois da cirurgia.

O The New York Times descobriu que dois dos cirurgiões bariátricos do Bellevue costumam competir para ver quantas operações podem fazer em um único dia, às vezes contando com técnicos de equipamento não licenciados para ajudá-los. Os anestesistas às vezes reduzem as doses de analgésicos para que o paciente acorde mais cedo e as salas de operação sejam liberadas com rapidez.

O departamento bariátrico é incentivado a agir depressa. O hospital recebe pelo menos US$ 11 mil, e às vezes muito mais, por grande parte das cirurgias de perda de peso. E, ao contrário de muitos médicos do Bellevue, que recebem salário fixo, os cirurgiões bariátricos ganham mais quando fazem mais operações.

Desde 2008, o Bellevue efetuou mais de 17 mil desses procedimentos. No primeiro ano da pandemia, quase 1.200 pacientes passaram por cirurgia bariátrica, quase o mesmo número dos cerca de 1.400 que foram hospitalizados por Covid — embora o hospital tenha interrompido as operações eletivas durante três meses do ano. Agora, as cirurgias de perda de peso representam uma em cada cinco operações no hospital.

Christopher Miller, um porta-voz do Bellevue, disse que o programa bariátrico é um serviço muito necessário para quem muitas vezes tem dificuldade de obter cuidados médicos e negou que o hospital tenha operado pacientes não qualificados ou que tenha apressado a triagem e a aprovação deles.

Miller acusou o The New York Times de escolher exemplos negativos e pintar um quadro impreciso de um programa bem-sucedido de saúde pública: “Estamos salvando muitos pacientes e melhorando a qualidade de vida deles. Colocar isso de outra maneira é errado e prejudicial para eles, para nossos funcionários e para os nova-iorquinos”.

Um processo apressado

Em 2007, o Bellevue recrutou um jovem cirurgião chamado Manish Parikh para abrir um novo departamento no hospital. Até então, os médicos encaminhavam potenciais pacientes de cirurgia de perda de peso para hospitais privados da cidade. Em razão das grandes somas que o Medicaid paga por cirurgias bariátricas, os executivos do Bellevue queriam que esse médico passasse a tratar tais pacientes, já que o programa poderia gerar lucro para o hospital, que sofria com a falta crônica de recursos.

Para colocar o programa em funcionamento, o Bellevue contratou Parikh. Depois do início das cirurgias, em 2008, o hospital concordou em pagar uma parte do seu salário com base na quantidade de cirurgias efetuadas. Em 2020, a equipe fez 1.192 procedimentos. No ano seguinte, foram 2.071. Neste ano, está a caminho de fazer 3.000.

Parikh não respondeu aos pedidos de comentário, e Miller declarou que pagar os médicos com base no número de procedimentos é “extremamente comum”, e que o Bellevue só opera pacientes clinicamente apropriados.

O hospital não torna público o montante que arrecada com as cirurgias bariátricas. Mas, com base nas taxas de reembolso do Medicaid, o The New York Times estimou que a instituição deverá ganhar pelo menos US$ 34 milhões neste ano.

A cirurgia bariátrica é muito séria. O paciente precisa restringir muito sua dieta pelo resto da vida. Por isso, antes do procedimento, muitos hospitais exigem que ele passe meses tentando perder peso por meio de exercícios e dieta. A teoria é que, se não conseguir adotar um estilo de vida saudável antes, a probabilidade de fazer isso depois é baixa. Além disso, tem de passar por um longo processo de aprovação, que inclui aconselhamento e consultas com nutricionistas. Apesar disso, esse processo muitas vezes é abreviado no Bellevue; mais de uma dúzia de pacientes disseram que o período entre a primeira consulta e a operação foi de aproximadamente três meses.

Deputado ucraniano teria detonado granadas após discussão sobre salário

Deputado ucraniano explode granada em sala fechada
Reprodução: Twitter/hafiz_shabraiz – 15.12.2023

Um deputado ucraniano explodiu três granadas em uma reunião de conselho que acontecia em um prédio do governo no vilarejo de Keretsky, na cidade de Zakarpattia, nesta sexta-feira (15).

No vídeo divulgado pela Polícia Nacional da Ucrânia, o homem, identificado como Serhii Batryn, de 53 anos, entra na sala, tira as granadas do bolso, destrava-as e joga-as no chão.

Segundo a imprensa ucraniana, o conselho havia se reunido para debater o Orçamento de 2024, e a pauta sobre salários teria dado início a uma discussão.

O Zakarpattia24, um veículo local, publicou que Batryn tinha discordado de seus colegas por causa de um aumento que seria dado ao chefe do conselho, mesmo com o país em guerra.

No momento do ataque, havia 26 pessoas na sala, das quais seis ficaram gravemente feridas e uma pessoa teria morrido.

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Segundo uma reportagem publicada pelo Kiev Post, o deputado recebeu atendimento médico e está vivo, mas seu estado de saúde não foi informado.

A polícia investiga o caso para apurar as possíveis motivações para o crime, mas já afirmou considerar o ataque um ato de terrorismo.

Batryn é membro do Servo do Povo, o mesmo partido do presidente Volodmir Zelensky.

 

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Giuliani, ex-advogado de Trump, condenado a pagar US$ 148 milhões por difamação

O ex-advogado de Trump, Rudy Giuliani, foi condenado por difamar agentes eleitorais em 2020
Reuters / Joshua Roberts / 5/5/2018

Rudy Giuliani, ex-advogado pessoal de Donald Trump, foi condenado nesta sexta-feira (15) a pagar mais de US$ 148 milhões (R$ 730 milhões) a duas agentes eleitorais que ele difamou durante as eleições presidenciais de 2020, informou a imprensa americana.

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Os advogados de Ruby Freeman e de sua filha Wandrea “Shaye” Moss, duas agentes eleitorais do estado da Geórgia (sudeste), pediram ao tribunal federal de Washington pelo menos US$ 24 milhões (R$ 118 milhões) de indenização para cada uma.

No entanto, o júri concedeu para cada uma US$ 16 milhões (R$ 79 milhões) por difamação, US$ 20 milhões (R$ 98 milhões) por danos morais e US$ 75 milhões (R$ 370 milhões) por danos e prejuízos.

Giuliani classificou a indenização por danos e prejuízos de “absurda” e anunciou que vai apelar da decisão. “Tenho bastante certeza de que, quando o caso chegar a um tribunal justo, será anulado rapidamente”, declarou.

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Giuliani, que parece sofrer com problemas financeiros, também é alvo de outro processo, de um escritório de advogados, que pede US$ 1,3 milhão (R$ 6,4 milhões) por serviços prestados e que não foram pagos.

Citando um vídeo em que é possível ver Ruby Freeman e sua filha Shaye Moss passando um objeto uma para a outra — que acabou sendo uma pastilha de menta — durante a recontagem de votos, o ex-prefeito de Nova York havia afirmado que as duas agentes eleitorais estavam manuseando um USB “como se fosse uma dose de heroína ou cocaína” para falsificar os resultados.

As demandantes, ambas negras, contaram que as acusações de Giuliani, que também foram repetidas por Donald Trump em suas redes sociais, resultaram em uma chuva de insultos e ameaças pessoais, muitos de caráter racista.

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