Zelensky chega aos EUA em última tentativa para desbloquear fundos para a guerra

Zelensky fala à imprensa após se reunir com a diretora do Fundo Monetário Internacional
Roberto Schmidt/AFP – 11.12.2023

O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelensky, chegou nesta segunda-feira (11) a Washington, em uma última tentativa de conseguir a renovação da ajuda financeira e militar dos Estados Unidos à Ucrânia prometida por seu contraparte, Joe Biden, e bloqueada pelos republicanos no Congresso.

Após passar o fim de semana na Argentina para a posse do ultraliberal Javier Milei, Zelensky chegou à capital americana nesta segunda e tem previsto de imediato um discurso na Universidade de Defesa Nacional, ao lado do secretário de Defesa, Lloyd Austin, segundo o Pentágono.

Veja também

Internacional
Milei limita operações cambiais na Argentina antes de anunciar medidas econômicas contra crise

Internacional
Israel estabelecerá dois novos postos de controle de ajuda humanitária para Gaza

Internacional
Oposição derrota reforma migratória de Macron na França

Zelensky disse que seu país conta com os Estados Unidos para combater as tropas invasoras de Moscou e que os atrasos na ajuda militar são um “sonho que virou realidade” para seu contraparte russo, Vladimir Putin.

“Putin deve perder”, sentenciou Zelensky em seu discurso. “Podem contar com a Ucrânia e esperamos poder contar com vocês”, enfatizou.

• Clique aqui e receba as notícias do R7 no seu Whatsapp
• Compartilhe esta notícia pelo WhatsApp
• Compartilhe esta notícia pelo Telegram
• Assine a newsletter R7 em Ponto

“Se tem alguém que se alegra com os assuntos não resolvidos no Capitólio (sede do Legislativo americano) são apenas Putin e sua panelinha doentia”, acrescentou.

Os Estados Unidos são o principal aliado militar de Kiev na guerra iniciada depois da invasão russa, mas o apoio de Washington está em perigo depois que o Congresso bloqueou um pacote de 106 bilhões de dólares (cerca de R$ 520 bilhões) em ajuda de emergência destinada principalmente à Ucrânia e a Israel.

Leia também

Ucrânia critica sinal verde do COI para russos disputarem Jogos de Paris-24: ‘Reforça agressão armada’

Ucrânia diz ter eliminado 1.270 soldados russos no front em apenas um dia

Temendo ataque, Putin viaja escoltado por caças russos até os Emirados Árabes Unidos

O porta-voz do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca, John Kirby, afirmou que a visita acontece em “um momento crítico” e que Biden deixaria claro que “continua firme” em conseguir o que Kiev precisa para reabastecer suas tropas e ampliar os esforços contra a Rússia.

Zelesnky também se reunirá com diretores do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial (BM), enquanto tenta recuperar a economia de seu país, sufocada em meio à guerra.

Reuniões com Biden e líderes do Congresso

No entanto, o principal dia de sua visita a Washington será a terça-feira.

Zelensky se reunirá com os líderes democrata e republicano do Senado, Chuck Schumer e Mitch McConnell, respectivamente, assim como com o novo presidente da Câmara de Representantes (baixa), o republicano Mike Johnson.

A renovação dos fundos em questão, que poderiam se esgotar nas próximas semanas, foi bloqueada pelos congressistas conservadores, que condicionavam o pacote de ajuda à aprovação de reformas para frear a entrada ilegal de imigrantes na fronteira com o México e que foram rejeitadas pelos democratas.

O governante ucraniano se reunirá também com Biden na Casa Branca.

A secretária de imprensa da Casa Branca, Karine Jean-Pierre, disse que a visita de Zelensky “destaca o compromisso inabalável dos Estados Unidos” com a Ucrânia, que, em fevereiro, entrará em seu terceiro ano de combate contra a invasão lançada pela Rússia no início de 2022.

Ao longo do conflito, que devastou regiões inteiras da Ucrânia e deslocou milhares de seus lares, as forças ucranianas se apoiaram firmemente na bilionária ajuda militar que uma coalizão de países ocidentais liderada pelos EUA estava lhe proporcionando, tanto em munições, armamento, assim como assistência econômica e social.

Esse bloqueio do pacote especial foi um forte revés para Biden, que havia instado os legisladores a aprová-lo, advertindo que o presidente russo, Vladimir Putin, não pararia com a vitória na Ucrânia e poderia, até mesmo, atacar uma nação membro da Otan.

Momento-chave

“Isso não pode esperar”, disse Biden em um discurso televisionado na Casa Branca na semana passada.

“Francamente, acredito que é impressionante que tenhamos chegado a esse ponto em primeiro lugar, em que os republicanos no Congresso estão dispostos a dar a Putin o maior presente que ele podia esperar”, acrescentou Biden.

No início de dezembro, Putin assinou um decreto para aumentar as forças russas em 15 por cento a fim de apoiar a invasão da Ucrânia, aumentando o Exército em 170.000 homens.

Recentemente, Moscou deu leves sinais sobre um possível acordo de paz, embora ele envolva uma Ucrânia reduzida e neutra, algo impossível de aceitar para Zelensky.

A ala mais conservadora do Partido Republicano, liderada pelo ex-presidente (2017-2021) e candidato às eleições de 2024, Donald Trump, rejeita taxativamente renovar a ajuda à Ucrânia.

“O melhor para os interesses dos Estados Unidos é aceitar que a Ucrânia terá que ceder algum território aos russos e temos que levar a guerra a um final”, disse, no domingo, o senador JD Vance, um aliado próximo de Trump.

Milei limita operações cambiais na Argentina antes de anunciar medidas econômicas contra crise

Presidente da Argentina, Javier Milei, faz discurso durante a posse, na Casa Rosada
Emiliano LASALVIA / AFP-10/12/2023

O Banco Central da Argentina, agora sob o comando do presidente Javier Milei, limitou, nesta segunda-feira (11), operações com câmbio no país, depois de o governo adiar para terça-feira (12) as suas primeiras medidas econômicas. Chamado na imprensa argentina de “feriado bancário virtual”, a medida condiciona à aprovação da direção do BC as operações com moeda americana no dia de hoje.

“Durante o dia, as operações de câmbio serão aprovadas conforme a necessidade”, disse o BC. A medida ocorre em meio à troca das autoridades do banco, que estão sendo nomeadas nesta segunda-feira pelo novo governo. “A medida foi ordenada para dar tempo à gestão do Poder Executivo para cumprir os procedimentos administrativos para a formação das novas autoridades e anunciar e implementar as políticas que irão executar”, diz o comunicado.

Veja também

Internacional
Israel estabelecerá dois novos postos de controle de ajuda humanitária para Gaza

Internacional
Oposição derrota reforma migratória de Macron na França

Internacional
Venezuela vai com ‘muitas expectativas’ a reunião presidencial com Guiana, diz chanceler

Sob Alberto Fernández, o governo adotou uma série de bandas cambiais em meio à escassez de moeda forte e à resistência do governo em liberar a flutuação da moeda americana conforme o mercado. Uma delas, o dólar poupança, destinado a argentinos que queiram comprar a moeda como pessoa física, teve a comercialização suspensa.

O atual presidente do Banco Central, Miguel Pesce, havia pedido a sua renúncia do cargo já na semana passada, mas ainda esperava uma aprovação do Executivo. Nesta segunda, o ministro da Economia Luis “Toto” Caputo anunciou o nome de Santiago Bausili para a nova presidência, mas ainda deve levar alguns dias para o nome ser publicado no Diário Oficial.

Na prática, a decisão diz que toda operação de câmbio relacionada ao comércio exterior deve passar pela aprovação do conselho do banco. Segundo os jornais argentinos, no mercado financeiro o movimento é visto como uma prévia de uma desvalorização do peso, muito aguardada.

Em breve espera-se que a nova diretoria do Banco Central anuncie medidas para corrigir a distorção cambiária que existe na Argentina. Atualmente há mais de 15 tipos de câmbios circulando, com o oficial estando defasado em 150% em relação ao paralelo mais utilizado (conhecido como “dólar Blue”). Caputo deve anunciar em breve como pretende fazer a correção.

Governo adia medidas

Mais cedo, o governo informou o adiamento dos anúncios das medidas econômicas que pretende tomar para conter a intensa crise do país. Havia enorme expectativa no mercado financeiro para os anúncios de hoje, já que o governo de Javier Milei ainda não apresentou um plano econômico claro.

Na sexta-feira, 8, o jornal argentino Clarín havia adiantado que Milei e Caputo fariam os primeiros anúncios já nas primeiras horas desta segunda, com uma série de medidas que não precisariam de um respaldo do Congresso. Nesta manhã, porém, Manuel Adorni, designado porta-voz da presidência, informou que as mudanças serão confirmadas na terça-feira, 12, sem um horário definido.

Israel estabelecerá dois novos postos de controle de ajuda humanitária para Gaza

Mulher carrega cesta de pão no sul de Gaza
Mohammed Abed/AFP – 11.12.2023

O Exército de Israel anunciou na noite desta segunda-feira (11) que estabelecerá dois postos de controle adicionais para a ajuda humanitária que chega à Faixa de Gaza através de Rafah, a cidade fronteiriça entre o enclave palestino e o Egito.

Esse ponto é o único que as organizações humanitárias podem utilizar para levar ajuda a Gaza, território devastado pelo conflito.

Israel indicou nesta segunda-feira que não tem planos de abrir novas passagens fronteiriças, mas utilizará as de Nitzana e Kerem Shalom para supervisionar caminhões com ajuda humanitária.

Veja também

Internacional
Oposição derrota reforma migratória de Macron na França

Internacional
Venezuela vai com ‘muitas expectativas’ a reunião presidencial com Guiana, diz chanceler

Internacional
Príncipe Harry é condenado a indenizar tabloide Mail on Sunday

“Essa medida permitirá duplicar a quantidade de ajuda humanitária que entra na Faixa de Gaza”, afirmou o Exército israelense na rede social X (antigo Twitter).

O Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) informou neste domingo (10) que atualmente uma centena de caminhões com água potável, alimentos ou medicamentos entra em Gaza todos os dias, número muito inferior aos 500 diários antes da guerra.

Segundo o Ministério da Saúde do Hamas, que governa o enclave palestinino, mais de 18,2 mil pessoas morreram em Gaza desde 7 de outubro devido aos bombardeamentos israelenses, a maioria delas mulheres e menores de idade.

Casal consegue gastar quase R$ 12 bilhões e acaba na falência


Sara Nilsen e Robert Bull tinham uma mansão com 12 carros na garagem no Reino Unido e outra propriedade na Noruega O post Casal consegue…

Oposição derrota reforma migratória de Macron na França

O presidente da França, Emmanuel Macron, discursa no Palais de Chaillot, em Paris
Mohammed Badra/AFP – 10.12.2023

A oposição francesa, da esquerda radical à extrema direita, rejeitou debater na Assembleia Nacional (Câmara Baixa) a reforma migratória proposta pelo presidente centrista Emmanuel Macron, que busca facilitar as expulsões e melhorar a integração do sistema migratório, nesta segunda-feira (11).

Com 270 votos a favor e 265 contra, os deputados aprovaram uma moção inicial de rejeição apresentada pelos ecologistas, com o apoio da esquerda radical, socialistas, comunistas, assim como da direita e extrema direita.

Veja também

Internacional
Venezuela vai com ‘muitas expectativas’ a reunião presidencial com Guiana, diz chanceler

Internacional
Médica israelense diz que reféns sequestrados pelo Hamas foram drogados e abusados ​​em Gaza

Internacional
Príncipe Harry é condenado a indenizar tabloide Mail on Sunday

No entanto, a rejeição tem diversos motivos. Para a direita e a extrema direita, as medidas eram insuficientes para deter a chegada de migrantes. Para a esquerda, a reforma endurecia sua acolhida e buscava “privá-los de dignidade”.

“É claro que este texto merece ser aprimorado e que a mão do governo está estendida em prol do interesse geral”, enfatizou em vão o ministro do Interior, Gérald Darmanin, em um apelo velado aos deputados dos Republicanos (direita).

• Clique aqui e receba as notícias do R7 no seu WhatsApp
• Compartilhe esta notícia pelo WhatsApp
• Compartilhe esta notícia pelo Telegram
• Assine a newsletter R7 em Ponto

Agora, o governo pode permitir que a reforma prossiga seu curso legislativo no Senado (Câmara Alta), onde uma primeira análise já a endureceu, ou em uma comissão mista que reúne senadores e deputados, ou decidir abandoná-la.

Na noite desta segunda-feira, Darmanin foi ao Palácio do Eliseu, sede da presidência, para se reunir com Macron, que rejeitou sua demissão e pediu que ele encontrasse uma maneira de superar o “bloqueio”, informou o entorno do presidente.

Leia também

Macron virá ao Brasil em março para discutir acordo da União Europeia com Mercosul

Macron lamenta morte de turista alemão após ataque próximo à Torre Eiffel

Pedaço de dedo é enviado a Emmanuel Macron, presidente da França

Além da reforma, a votação representa um revés para Darmanin, que nos últimos dias recuou em sua ambição de ser o candidato governista à presidência em 2027 e anunciou apoio ao ex-primeiro-ministro Edouard Philippe, “o melhor posicionado” para derrotar a ultradireitista Marine Le Pen.

“Estamos protegendo os franceses”, comemorou Le Pen, que, junto com a direita, tinha como alvo derrubar a proposta de regularizar os trabalhadores sem documentos em setores com escassez de mão de obra.

A França tem 5,1 milhões de estrangeiros em situação regular, o que representa 7,6% da população, e acolhe mais de meio milhão de refugiados. Além disso, há entre 600 mil e 700 mil migrantes em situação irregular, de acordo com as autoridades.